IM L6 Jimmy Choo: 850 km e mil unidades. Vem para o Brasil?
IM L6 abre pré-venda com série Jimmy Choo de mil unidades, 850 km de autonomia e 800 volts. Entenda a letra miúda dos números e se o sedã chega ao Brasil.
IM L6 Jimmy Choo: 850 km e mil unidades. Vem para o Brasil?
A IM Motors abriu a pré-venda do novo L6, e a versão que mais chama atenção não é a mais potente. É uma série limitada de mil unidades, assinada por um estilista de sapatos, e o carro que está por baixo dela é sério. A bateria maior tem 93 kWh, a autonomia anunciada chega a 850 km, a plataforma é de 800 volts e ele aceita até 396 kW na recarga. São dois números de brochura que carregam uma letra miúda que quase ninguém lê.
Os 850 km e a régua que muda tudo
Os 850 km vêm do CLTC, o ciclo de teste chinês, conhecido por entregar valores otimistas. E aqui aparece um dado que raramente entra na conversa: o irmão europeu deste carro é vendido como MG IM5, homologado no ciclo WLTP. Nessa régua, o número da família cai para até 710 km. Não é exatamente a mesma versão, mas dá a dimensão do problema: mais de 100 km de diferença só por trocar o método de medição. O carro é o mesmo. O que muda é o teste. E o motorista brasileiro vai rodar numa terceira condição, que não é nenhuma das duas, com trânsito, clima quente e ar-condicionado ligado. Se você quer entender por que a etiqueta quase nunca bate com o uso real, vale ler o guia sobre autonomia real de um carro elétrico.
A recarga que o Brasil ainda não entrega
O segundo número é a recarga: 580 km em 15 minutos. Só que isso exige um carregador capaz de despejar 396 kW. No Brasil, a esmagadora maioria dos eletropostos públicos opera muito abaixo desse patamar. O número é do carro, não é o que você vai encontrar no posto da rodovia. Ou seja, é uma capacidade que existe na ficha técnica, mas que a infraestrutura brasileira ainda não consegue explorar. É o mesmo teto teórico que sedãs premium como o BYD Han já anunciam e que raramente se realiza fora de um punhado de estações rápidas.
Um pacote de engenharia que era coisa de alemão
A parte mais curiosa não aparece na ficha de venda. O L6 vem de série com chassi totalmente by-wire, freio eletrônico da Continental e direção nas quatro rodas. As rodas traseiras esterçam até 18 graus para cada lado, e o resultado é um raio de giro de 4,39 m. Ele tem quase 5 metros de comprimento, 4,92 m para ser exato, e faz a volta em menos espaço que muito hatch compacto. Por dentro, a lista é de carro caro e vale para toda a linha, não só para a série limitada: três telas, som Bang & Olufsen de série e uma geladeira de 5,7 litros no console. A condução assistida foi desenvolvida com a Momenta e faz navegação assistida sem depender de mapa de alta definição.
O sapato, o preço e a pergunta que importa
A edição assinada por Jimmy Choo traz couro perolado num azul feito sob medida, emblema em cristal facetado e marchetaria em madrepérola, com a cor inspirada num sapato desenhado para a Princesa Diana. São mil unidades no primeiro lote, liberadas cem por dia, às 10h, e parte dos compradores recebe um par de sapatos sob medida junto com o carro. A série existe em duas configurações, com baterias de 76 e de 93 kWh, por 234.900 e 249.900 yuans na pré-venda. A linha normal começa em 219.900, e o topo, o Ultra, tem 500 kW, tração integral e vai de 0 a 100 km/h em 2,74 segundos, mas fica de fora da série limitada.
Vem para o Brasil?
A resposta honesta é que não há anúncio. Nenhum. O que existe são indícios: a IM é uma marca da SAIC, o mesmo grupo da MG, que já opera aqui, e o carro-base já é exportado como MG IM5, com versão de volante à esquerda. Mas há um contra que pesa mais que os dois indícios juntos: série limitada de mil unidades praticamente não se exporta, ela existe para vender rápido no mercado de origem. E preço em yuan não vira preço brasileiro por conversão direta, porque imposto, frete e tributação mudam a conta de patamar. No fim, o que impressiona não é o sapato. É um sedã elétrico de quase 5 metros com chassi by-wire, direção nas quatro rodas e recarga de 800 volts vendido como item de série, algo que cinco anos atrás era pacote de carro alemão de 200 mil euros. Para comparar com o que já está à venda por aqui, vale olhar o catálogo de veículos do Radar Volt.